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A fé move montanhas

A fé move montanhas

Quando temos confiança nas nossas forças somos capazes de realizar coisas materiais que não podemos fazer quando duvidamos de nós mesmos.

Quando se diz a fé move montanhas, elas não são mais do que as dificuldades, as resistências, a má vontade que encontramos entre os homens.

Os preconceitos da rotina, o interesse material, o egoísmo, o fanatismo, o orgulho, a maldade, o ódio, a vingança são também montanhas que estorvam o nosso caminho.

A fé quando é forte, sólida, dá-nos a confiança, a energia e os recursos necessários para a vitória sobre os obstáculos tanto nas pequenas como nas grandes coisas.

A fé indecisa produz a incerteza, a hesitação e isso é aproveitado pelos adversários que devemos combater.

Essa fé nem sequer procura os meios de vencer, porque não acredita na possibilidade da vitória.

Considera-se como fé, a confiança que se deposita na realização de uma determinada coisa, a certeza de se atingir um determinado objectivo.

Neste caso ela confere uma espécie de lucidez que faz antever através do pensamento os fins que se têm em vista e os meios de atingi-los, de maneira que aquele que a possui avança sem nunca se enganar.

Esta fé pode fazer com que se realizem grandes coisas.

A fé sincera e verdadeira é sempre calma.

Ela confere a paciência a quem sabe esperar e estando apoiada na inteligência e na compreensão das coisas há a certeza de chegar ao fim.

A fé insegura sente a sua própria fraqueza e quando é estimulada pelo interesse torna-se furiosa e acredita poder aliar a força com a violência.

A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança, enquanto a violência pelo contrário é uma prova de fraqueza e de falta de confiança em si mesmo.

É necessário não confundir a fé com a presunção.

A verdadeira fé é associada à humildade.

Aquele que a possui confia em Deus mais do que em si mesmo, pois sabe que nada pode sem Ele e por isso os bons espíritos vêm em seu auxílio.

Na presunção existe mais orgulho do que fé e o orgulho é mais cedo ou mais tarde castigado pelas decepções e fracassos da vida.

O poder da fé tem aplicação directa e especial na acção magnética.

O homem age sobre o fluido, agente universal, modifica-lhe as qualidades e dá-lhe uma força irresistível.

Aquele que alia a um poder fluidico normal uma fé ardente, pode agir unicamente para o bem e realizar verdadeiros fenómenos de cura e de outra natureza que normalmente se considera de milagre e que entretanto não são mais do que consequências de uma lei natural.

A fé no sentido religioso pode ser cega, aceitando sem controlo o falso e o verdadeiro.

Levada ao excesso produz o fanatismo.

E quando a fé é apoiada no erro mais cedo ou mais tarde se destrói.

A fé que tem por base o verdadeiro é a única que tem o futuro assegurado, porque não deve ter medo do progresso do conhecimento, porque o que é verdadeiro na obscuridade também o é em plena luz.

Existem várias religiões e cada uma delas pretende ser a mais verdadeira, mas estabelecer a fé cega sobre uma questão de crença é confessar a falta de capacidade para demonstrar que se está com a razão.

A fé não se oferece, nem se compra e muito menos se impõe.

Muitas pessoas dizem que não são culpadas porque não têm fé.

No entanto, ela se adquire e não existe ninguém que esteja impedido de possui-la.

A fé não se dirige a uma pessoa e diz:

– Olá eu sou a fé, tu por acaso queres ficar comigo?

As pessoas é que têm que saber procurá-la e se o fizerem com sinceridade de certeza que a encontrarão.

No entanto existem pessoas que podem dizer:

– Eu queria tanto ter fé, tenho tentado, mas não consigo.

Pois é, realmente apenas procuram a fé através de algumas palavras que são soletradas pelos lábios e nunca tentam que essas mesmas palavras sejam faladas pelo coração.

Podem ter variadas provas ao seu redor e recusam-se a vê-las, uns pela indiferença, outros poderão ter medo de mudar os hábitos e na grande maioria existe orgulho que se recusa a reconhecer um poder superior, a existência de Deus, porque se consideram seres superiores.

Para algumas pessoas a fé parece de alguma forma inata, basta uma faísca para desenvolve-la.

A facilidade que têm para assimilar as verdades espirituais é um sinal de progresso anterior.

Enquanto que outras é com grande dificuldade que assimilam a realidade espiritual, o que torna evidente que a natureza do seu espírito não está tão evoluído.

As primeiras já acreditaram e compreenderam e trazem ao renascer a intuição do que sabiam, poderá dizer-se que a sua educação já foi realizada, enquanto as segundas ainda têm muito que aprender e a sua educação por fazer.

Essa educação será feita se não for concluída nesta existência, terminará numa outra.

A fé necessita de uma base e essa base é a perfeita compreensão daquilo em que se deve crer e para crer não basta ver é necessário compreender.

É a fé cega que hoje em dia produz o maior número de incrédulos, porque ela quer impor-se exigindo aos outros a sua aceitação impedindo que se façam perguntas e haja liberdade de escolha.

A verdadeira fé apoia-se nos factos e na lógica, não deixa nenhuma obscuridade.

Crê-se porque se tem a certeza e só se está certo, quando se compreendeu.

É uma fé inabalável que pode enfrentar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade.

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